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  • Anderson Mendes

Como lidar com a ansiedade no ambiente corporativo?


Com a chegada do novo ano, normalmente criamos metas corporativas e pessoais focadas em tudo o que não foi feito no ano anterior e/ou no que foi executado mas que pode e deve melhorar, porém isso sendo feito de forma desorganizada e sem critérios de prioridades, pode nos levar ao desenvolvimento de um quadro de ansiedade. E para os líderes, que respondem por suas equipes (colaboradores e seus familiares muitas vezes também entram nesta equação), esta pressão pode se tornar ainda maior, mesmo que ela seja criada pelo próprio líder.


Ainda assim, num universo cada vez mais baseado em dados, trabalhar com metas e indicativos, tais como: OKR´s (Objectives and Key Results) e KPI´s (Key Performance Indicator), será cada vez mais necessário para o sucesso dos negócios, uma vez que os números trazem clareza para as tomadas de decisão. Mas já que precisamos criar soluções e entregar resultados a todo momento, como não nos atropelar no meio de tantas metas e ações a serem realizadas? Será que estamos respeitando os nossos limites e conseguindo perceber quando estamos nos pressionando a ponto de gerar sentimentos ansiosos?


O avanço da tecnologia parece ter impactado diversos setores da sociedade, e o mercado de trabalho foi um deles. Com novas ferramentas digitais, surgem também estratégias empresariais inovadoras que fomentam a competitividade entre as mesmas. Com isso, as corporações parecem ter pressa em alcançar métricas de sucesso e se destacar diante dos concorrentes. Afinal, tempo é dinheiro, não é mesmo?


Mas, mesmo com todas as tecnologias a nosso favor para tornar esses processos possíveis e muito mais ágeis, ainda precisamos de um elemento essencial: o ser humano. É preciso pessoas capacitadas e dispostas para fazer esse jogo girar. Logo, é importantíssimo entender essas figuras como indivíduos que também possuem a sua individualidade e o seu tempo. Mas será que é possível respeitar o tempo do outro, e ainda assim seguir o ritmo que o mercado exige? Será que as empresas podem se tornar mais humanizadas nesse sentido?


Imediatismo


Ainda pensando nos impactos dos avanços tecnológicos, a internet parece ter alterado a forma como entendemos o tempo das coisas. Nas redes sociais, exigimos respostas instantâneas às nossas mensagens. Nos sites de veículos de mídia, temos pressa, e lemos apenas os resumos das notícias do dia. Estamos nos tornando cada vez mais imediatistas.


É fato que a internet tornou alguns processos mais ágeis, o que é positivo. Mas em alguns aspectos, toda essa agilidade parece nos ter colocado em modo automático - não pensamos, apenas reagimos. E no horário comercial, dentro do escritório, muitas vezes não é diferente. Boa parte dos funcionários estão seguindo o script do sucesso, que se baseia em alcançar o cargo mais alto em menor tempo. Porém, não acreditamos que exista uma fórmula mágica que funcione para todos os humanos. Cada um tem o seu processo.


O próprio Linkedin, uma rede social voltada para o mundo corporativo, que deveria ser apenas um espaço para compartilhar conquistas e aprendizados dos negócios, pode estimular a ansiedade e a comparação entre seus usuários, depois de tanto rolarem o feed e lerem dezenas de postagens que falam sobre os avanços profissionais de seus colegas.



Brasil: o país mais ansioso do mundo


Rolar o feed do Linkedin, fazer parte de um ambiente competitivo e adquirir hábitos imediatistas não devem ser os únicos fatores que geram ansiedade, já que 9 milhões de brasileiros convivem com esse sentimento. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), somos o país mais ansioso do mundo, onde 9,3% da população sofre do transtorno.


A ansiedade pode se manifestar em diversos espaços e situações que vão além da vida profissional, como nos âmbitos pessoal e afetivo, isso é fato. Mas eis um dado que nos é interessante: o número de funcionários que sofre de ansiedade no ambiente corporativo é de 52%, segundo dados da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Um número alto, não é?


Algumas das situações que já falamos até aqui são possíveis causas dessa ansiedade, como a competitividade e a pressão para atingir metas. Mas elas não são as únicas, e nós temos certeza que você consegue pensar em mais algumas, seja por já ter vivido na pele, ou apenas por ter presenciado no local de trabalho. E já que estamos citando fatos, aqui vai mais um: a ansiedade e outros transtornos podem impactar negativamente no desempenho profissional de quem sofre com ela.


A partir daí, assume-se que esse não é só um problema do colaborador e sim uma questão coletiva. E nós do Instituto Gente Feliz acreditamos que as empresas podem ajudar a melhorar esse cenário e tornar o ambiente corporativo mais saudável para todos os humanos envolvidos.


Entendemos que essa é uma questão urgente, já que cerca de 57,5% dos empregadores não oferecem soluções de saúde mental para seus colaboradores, segundo levantamento da Propeller Insights para o Gympass no ano de 2020 — um momento da história mundial onde os transtornos mentais sofreram um grande “boom”, outro impacto causado pela pandemia da Covid-19.



E para quem ocupa cargos de liderança nas empresas e/ou quem tem a tarefa de manter um bom relacionamento e desempenho entre os times de uma organização, identificar como estão os ânimos pelos setores é um primeiro passo. Se durante essa observação for possível notar diferenças no humor dos funcionários e até mesmo quedas no dinamismo, o segundo passo é descobrir os motivos que podem estar causando essas situações (e se eles estão relacionados ao ambiente corporativo).


O poder da escuta


O processo de identificar o que está deixando os colaboradores ansiosos pode ser um desafio, principalmente porque a saúde mental ainda é considerada um tabu entre as empresas — cenário esse que só começou a sofrer mudanças durante a pandemia — o que faz com que muitos Humanos se “fechem” quando estão no trabalho.


Por isso, é importante tentar criar um ambiente seguro e de união para que os funcionários consigam se abrir; um local em que eles sintam que suas demandas estão sendo ouvidas. Incluir os debates sobre saúde mental nas comunicações da empresa e promover discussões entre todos os funcionários são métodos que nós do IGF acreditamos que podem contribuir neste processo e, inclusive, promovemos estas ações nas empresas com as quais trabalhamos.


Mas para além destas ações em grupo, é importante também que os líderes escutem suas equipes. Escutar é poderosíssimo, é um ato de generosidade que nos permite aprender mais sobre o outro, suas particularidades e necessidades. A escuta ativa é uma maneira eficiente de se ter ideias, nos fazendo crescer pessoalmente/profissionalmente, mesmo porque precisamos compreender que o tempo de aprendizado ou de aplicação de uma ideia acaba sendo diferente para cada colaborador.


Respeito ao tempo




Muitas vezes o imediatismo proposto pelas novas tecnologias e redes sociais nos deixa esquecer de que cada um tem o seu tempo. Precisamos observar com mais cuidado as nossas ações e, para além de buscar entender as angústias e ansiedades do outro, entender se nós estamos respeitando os nossos próprios limites e sendo tolerantes com nós mesmos.


Uma das características mais valorizadas nos cargos de liderança é a atenção entregue às suas equipes, vale lembrar que isso não tira a responsabilidade do indivíduo também de cuidar de si, e claro que é muito legal fazer parte de uma empresa que entende as nossas demandas emocionais e as respeita, mas só isso não é suficiente. Se você ainda não se consulta regularmente com um psicólogo, recomendamos que o faça o quanto antes. A terapia é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, entre seus outros benefícios.


E aí, pensou em mais alguma possível solução de saúde mental que pode ser promovida dentro das empresas? Que tal compartilhar com a gente?


O Instituto Gente Feliz acredita no compartilhamento de ideias por meio de um diálogo saudável e adoraríamos contar com a sua contribuição nos debates sobre saúde mental dentro das corporações.


Além disso, estamos prontos para pensar em ações como essas que podem transformar o posicionamento da sua empresa e bem estar de seus funcionários diante de transtornos mentais como esses. Entre em contato conosco para saber mais!


Nathalia Nunes e Anderson Mendes - Humanos à disposição dos Humanos!

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